Mídia paga é um dos principais canais de venda para um e-commerce. Quando bem estruturada, ela permite colocar produtos diante de pessoas que estão procurando exatamente aquilo que a sua loja vende, criar demanda em novos públicos, recuperar usuários que abandonaram uma compra e aumentar o faturamento de forma previsível.
Mas existe uma diferença enorme entre anunciar produtos na internet e construir uma operação profissional de mídia paga para e-commerce.
Não basta criar uma campanha no Google ou no Instagram, escolher alguns produtos, colocar dinheiro e esperar que o ROAS apareça. Uma operação realmente eficiente precisa conectar mídia, catálogo, site, mensuração, oferta, margem, comportamento do consumidor e retenção.
É justamente por isso que a mídia paga para e-commerce deve ser tratada como parte de um sistema maior de marketing digital.
Se você ainda não leu o nosso guia completo de marketing digital para e-commerce, recomendamos começar por ele. Neste artigo, vamos aprofundar especificamente a parte de mídia paga, entrando na estrutura das campanhas, divisão de orçamento, Google Ads, Meta Ads, remarketing, catálogo, mensuração e principais indicadores financeiros.
1. O que é mídia paga para e-commerce?
Mídia paga é o conjunto de estratégias utilizadas para comprar exposição e tráfego em plataformas digitais, como Google, Meta, TikTok, marketplaces, redes de display e outros canais de publicidade.
No e-commerce, entretanto, o objetivo não deveria ser simplesmente gerar tráfego.
O objetivo final é gerar receita com rentabilidade.
Essa diferença parece pequena, mas muda completamente a forma como uma campanha deve ser planejada.
Em uma operação de geração de leads, por exemplo, podemos otimizar inicialmente para um formulário preenchido. Em um e-commerce, a plataforma precisa receber sinais muito mais próximos da receita:
- Visualização de produto;
- Adição ao carrinho;
- Início do checkout;
- Compra;
- Valor da compra;
- Produto comprado;
- Quantidade de itens;
- Receita gerada.
Isso permite que os algoritmos de mídia encontrem não apenas pessoas que clicam, mas pessoas com maior probabilidade de comprar.
Por isso, uma boa estrutura de mídia paga para e-commerce começa muito antes da criação do primeiro anúncio.
Ela começa na mensuração correta do negócio.
2. Antes de investir: sua operação está preparada para receber tráfego?
Um dos maiores erros de e-commerces é tentar resolver problemas de conversão aumentando o investimento em mídia.
Imagine uma loja que recebe 10.000 visitantes por mês e possui taxa de conversão de 1%.
Isso significa aproximadamente 100 pedidos.
Se a empresa dobrar o investimento em mídia e conseguir 20.000 visitantes mantendo a mesma taxa de conversão, terá aproximadamente 200 pedidos.
Por outro lado, se uma estratégia de CRO elevar a taxa de conversão de 1% para 1,5%, os mesmos 10.000 visitantes passam a gerar aproximadamente 150 pedidos.
Ou seja: antes de simplesmente comprar mais tráfego, é necessário entender se o site consegue transformar esse tráfego em receita.
Alguns pontos precisam ser avaliados antes de escalar:
- Velocidade do site;
- Experiência mobile;
- Qualidade das páginas de produto;
- Fotos e vídeos;
- Descrições;
- Preço;
- Frete;
- Prazo de entrega;
- Métodos de pagamento;
- Parcelamento;
- Pix;
- Confiança na marca;
- Avaliações;
- Política de troca;
- Disponibilidade de estoque;
- Processo de checkout.
Não adianta ter uma campanha excelente levando milhares de pessoas para uma página de produto que demora para carregar ou não deixa claro quanto custa o frete.
A mídia compra a oportunidade. O site precisa transformar essa oportunidade em venda.
📈Quer saber como melhorar as taxas de conversão? > O que é CRO? Para que serve?
3. Google Ads x Meta Ads: qual canal usar?
Google Ads e Meta Ads possuem funções diferentes dentro de uma operação de e-commerce. No Google, uma pessoa pode pesquisar: “tênis corrida masculino”. Ela já demonstrou uma intenção relacionada ao produto. Na Meta, por outro lado, o usuário pode estar simplesmente navegando pelo Instagram quando encontra um anúncio de um tênis que chama sua atenção.
Isso significa que os dois canais trabalham com comportamentos diferentes. E de maneira geral, você precisa estar nos dois.
Google Ads
O Google é especialmente importante para capturar usuários que já possuem algum nível de intenção.
Entre os principais formatos estão:
- Search (pesquisa);
- Google Shopping manual;
- Performance Max;
- Demand Gen;
- Display;
- YouTube.
Para e-commerce, campanhas separadas por categoria de produto e variações de termos dentro de cada linha funcionam muito bem. Veremos a seguir as melhores maneiras de estruturar essas campanhas.
Já ações com apelo visual mais forte, costumam performar melhor com banners e vídeos em formatos como a Performance Max e a Demand Gen.
Meta Ads
Já na Meta, ao invés de o usuário iniciar uma busca e chegar até o seu anúncio, o fluxo é o contrário. Você precisa ter um criativo atrativo o suficiente para chamar atenção do seu usuário.
Nessa ferramenta, os formatos de campanha são:
- Conversão em site;
- Campanhas de Whatsapp;
- Campanhas de lead nativo;
E dentro desses formatos você pode veicular anúncios em:
- Imagem;
- Vídeo;
- Reels;
- Stories;
- Carrossel;
- Catálogo;
A força da Meta está principalmente na combinação entre criativo, catálogo, dados de conversão e algoritmo.
Por isso, não existe uma regra universal dizendo que determinado percentual da verba deve obrigatoriamente ir para Google ou Meta.
A divisão deve depender da categoria, maturidade da marca, demanda existente, margem, ticket médio, recompra e comportamento do consumidor. E principalmente, qual a margem e a receita que cada canal está gerando especificamente para a sua marca.
4. Como dividir a verba de mídia paga de um e-commerce?
Por isso, você pode construir uma estrutura inicial para testar, mas em cima dela você vai saber rapidamente quais canais realmente trazem receita e quais não. Nossa sugestão seria iniciar com:
| Canal | Função principal | Participação inicial possível |
|---|---|---|
| Google Search Marca | Captura de demanda da marca | 10% |
| Google Search Genéricas | Intenção de compra que o usuário não decidiu ainda a marca | 20%–30% |
| Google Pmax | Descoberta e conversão | 25%–40% |
| Meta Ads público amplo | Descoberta e conversão | 25%-40% |
| Remarketing | Recuperação de usuários | 5%–10% |
Esses percentuais não devem ser tratados como uma fórmula fixa.
Uma loja de peças para carro, por exemplo, pode ter uma dependência muito maior de Google, porque o usuário frequentemente pesquisa exatamente o produto que precisa. Mercado Livre, Amazon e semelhantes dependem muito mais desse canal.
Um e-commerce de moda com forte presença no Instagram pode (e deve) concentrar uma parcela maior do orçamento em Meta. Aqui brilham marcas como Shein, Temu, Aliexpress.
Já uma marca nova, sem demanda consolidada, pode precisar utilizar mídia social para criar conhecimento antes de conseguir capturar uma quantidade relevante de pesquisas.
O princípio mais importante é: o orçamento deve acompanhar a capacidade de cada canal de gerar receita incremental e rentável.
5. Google Shopping
O Google Shopping é especialmente importante porque permite apresentar produtos diretamente nos resultados de pesquisa, além de conseguir “perseguir” o usuário em todos os sites com rede de display conectada.
Em vez de mostrar apenas um anúncio textual, o usuário pode visualizar:
- Foto;
- Nome do produto;
- Preço;
- Marca;
- Loja;
- Outras informações do produto.
Isso ajuda muito, porque se a pessoa já tem familiaridade com o produto, quebra-se um atrito que a estrutura do search não permite quebrar apenas com texto. Se a pessoa não tem familiaridade, uma foto que retrate bem o seu produto vai despertar o interesse.
Além disso, o usuário consegue comparar diferentes ofertas antes mesmo de entrar no site.

Para isso, entretanto, o e-commerce precisa ter um feed de produtos bem estruturado. Plataformas como a Vtex, Nuvemshop, Shopify, entre outras, em geral possuem conectores nativos com o Merchant Center para facilitar essa conexão. A questão aqui é: como esse feed será organizado.
6. O feed de produtos pode determinar a qualidade da sua mídia
O feed é a estrutura de dados que informa às plataformas quais produtos existem na sua loja e quais características eles possuem.
Dependendo da plataforma, podem existir informações como:
- ID;
- Título;
- Descrição;
- Preço;
- Preço promocional;
- Marca;
- GTIN;
- MPN;
- Categoria;
- Disponibilidade;
- URL;
- Imagem;
- Cor;
- Tamanho;
- Variante.
Um problema no feed pode gerar problemas diretamente na mídia.
Imagine que você possui 2.000 produtos, mas:
- 300 estão sem GTIN;
- 150 estão com preço incorreto;
- 200 estão sem imagem adequada;
- 100 estão marcados como indisponíveis;
- diversos títulos são genéricos.
Você pode ter uma excelente estratégia de mídia e ainda assim limitar o desempenho da conta.
Por isso, a gestão de mídia para e-commerce também envolve gestão de dados de produto.
Conectar o seu time de e-commerce diretamente com o time de dados e o time de mídia é uma etapa extremamente importante do processo. Na Graecus, nós fazemos esse acompanhamento e tratamento dos dados que chegam até a mídia de perto.
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7. Performance Max para e-commerce
A evolução das campanhas de shopping manuais do passado é a Performance Max. Esse tipo de campanha permite que um usuário tenha acesso não apenas à estrutura de shopping, mas também à rede de search, de display e ao YouTube (o único canal de fora da lista é o Gmail, disponível apenas no inventário da Demand Gen).
Essa campanha se diferencia de estruturas de demand gen e do shopping manual por não terem como segmentar usuários, apenas indicando um público ideal que o Google Ads usa como base para buscar o restante de potenciais consumidores. Por isso, essa campanha é extremamente dependente de um bom sinal de conversão para a base de usuários e para o evento de compra.
A “caixa preta” do Google Ads
Muitas operações usam a Pmax (como também é conhecida) como a principal campanha da conta, sem negativar termos de marca, sem acompanhar quais produtos estão vendendo mais. Esse tipo de atitude faz com que essa campanha muitas vezes seja uma “caixa preta” de informações.
Por isso, é importante que um analista mais sênior acompanhe:
- Quais produtos estão sendo vendidos;
- Quais criativos impulsionam mais quais categorias;
- Quais conjuntos de recursos trazem mais retorno e margem;
- Termos que estão sendo utilizados;
- Inventários mais utilizados;
Essas informações dirão se a campanha pmax não está dependendo, por exemplo, apenas de termos da sua marca. Se for o caso, você poderia apenas negativar o termo nela, comprar ele mais barato no search, ou nem comprar e deixar o orgânico cobrir essa demanda.
Ou outra situação é a pmax estar com um desempenho ruim, mas todo o custo estar sendo direcionado para um inventário frio de display. A campanha poderia ter potencial, mas acaba sendo pausada antes de alcançar.

Rentabilizadade além do ROAS
Outro ponto importante, imagine duas campanhas:
Campanha A
Investimento: R$ 20.000
Receita: R$ 100.000
ROAS: 5
Campanha B
Investimento: R$ 20.000
Receita: R$ 80.000
ROAS: 4
À primeira vista, a Campanha A parece claramente melhor.
Mas imagine que os produtos vendidos pela Campanha A tenham margem de 20%, enquanto os produtos da Campanha B tenham margem de 50%.
A análise muda completamente.
8. Google Search para e-commerce
As campanhas mais importantes ainda hoje em qualquer estrutura de Google Ads podem ser sempre divididas em duas categorias: campanhas institucionais (de marca) e campanhas genéricas (sem termos de marca).
Campanha de Search Institucional (Marca)
Pesquisas pelo nome da empresa ou da marca.
Exemplos:
- “graecus”;
- “graecus loja oficial”;
- “graecus loja online”.

Campanha de Search Semi-Genérica
Pesquisas relacionadas à sua marca, mas com o produto envolvido
- “graecus vestido”;
- “graecus cadeira gamer”;
- “graecus celular de entrada”.

Campanha de Search Genéricas Categorias
Pesquisas relacionadas ao tipo de produto sem a marca:
- “tênis masculino”;
- “cadeira escritório”;
- “vestido feminino”

Campanha de Search Genéricas Produtos
Pesquisas mais específicas:
- “tênis Nike Pegasus”;
- “iPhone 16 256GB”;
- “cadeira ergonômica com apoio lombar”

Alta intenção
Quanto mais específica for a intenção, maior tende a ser a capacidade de direcionar a comunicação para aquilo que o usuário realmente procura.
O grande cuidado ao montar essa estrutura, é não ter tantas ramificações que vai ser difícil de gerir as campanhas. Imagine que você possui 2.000 produtos, e criou um grupo de anúncios para cada produto, com o termo específico. Quando uma promoção é ativada, como você conseguirá mudar todos os textos para falar da promoção com 2.000 grupos de anúncios?
9. Palavras-chave negativas: evitando pagar por tráfego inútil
Um dos trabalhos contínuos de uma operação de Search é entender quais pesquisas estão acionando os anúncios.
Imagine que sua loja vende produtos novos.
Uma pesquisa por:
“como consertar tênis rasgado”
pode não ter valor comercial para você.
Da mesma forma:
- grátis;
- usado;
- segunda mão;
- emprego;
- manual;
- tutorial;
- como fazer;
- reclamação;
podem representar comportamentos completamente diferentes daqueles que você deseja capturar.
A lista de negativas deve ser construída continuamente com base nos dados reais da conta.
Isso evita que parte da verba seja direcionada para usuários que dificilmente comprarão.
Ao mesmo tempo, um analista precisa fazer negativações frequentes para manter a conta limpa de termos novos que vão surgindo com o tempo. Isso garante que não apareçam buscas que vão tomar parte do seu orçamento em conversões muito caras, ou simplesmente sem gerar conversão.
10. Meta Ads para e-commerce: o criativo é parte da estratégia
Na Meta, não existe uma estrutura de campanha capaz de compensar criativos ruins. O anúncio precisa interromper a navegação do usuário e gerar desejo para um clique. Por isso, uma operação madura deve trabalhar com diferentes conceitos criativos.
Por exemplo:
Produto
Mostrar claramente o produto e seus principais diferenciais. Um criativo humanizado com casos de uso do dia a dia sempre vai convencer mais do que um criativo estático sem muita interação.
Benefício
Explicar qual problema o produto resolve. Importantíssimo para produtos que não são de uso comum.
Demonstração
Em especial para produtos de tecnologia, é interessante mostrar novas funcionalidades que o usuário pode desconhecer.
Prova social
Utilizar avaliações, depoimentos e experiências reais. Outra estratégia muito utilizada é ter famosos ou influenciadores testando os produtos e mostrando a relação deles com a marca. Aqui vale tanto para topo de funil, quanto para campanhas de venda.
Comparação
Mostrar diferenças entre seu produto e alternativas.
Oferta
Comunicar desconto, frete, parcelamento ou condição especial. O que mais vende desde sempre. Porém, lembre-se como isso pode afetar a margem do seu negócio (ver mais em como aumentar a margem do seu e-commerce).
UGC
Conteúdo produzido com aparência mais espontânea, semelhante ao conteúdo que o usuário já consome nas redes sociais.
11. Catálogo (ou feed de produtos) da Meta
O catálogo permite conectar os produtos do e-commerce à plataforma de anúncios. Da mesma forma que citamos anteriormente para o Merchant Center, essa é uma ferramenta essencial em qualquer operação de e-commerce.
O catálogo pode conter:
- Produtos;
- Variantes;
- Preços;
- Imagens;
- URLs;
- Disponibilidade;
- Categorias.
Uma das aplicações mais importantes é o remarketing dinâmico.
Imagine que uma pessoa acessou determinado tênis, mas não comprou. Em vez de mostrar um anúncio genérico da marca, a plataforma pode apresentar novamente o produto que aquela pessoa demonstrou interesse.
Isso torna a comunicação muito mais contextual.
12. Remarketing: recuperar quem quase comprou
Conforme citamos, nem todo usuário compra na primeira visita. Por isso, um ponto central de estratégias de e-commerce é gerar fluxo de usuários nas páginas e depois trabalhar com remarketing para os usuários mais quentes.
Podemos criar públicos diferentes com base no comportamento:
- Visitantes do site;
- Visualizadores de produto;
- Adicionaram ao carrinho;
- Iniciaram checkout;
- Compradores;
- Engajaram com Instagram;
- Assistiram vídeos;
- Interagiram com anúncios.
Cada grupo pode receber uma mensagem diferente.
Uma pessoa que apenas visitou a home não deveria necessariamente receber a mesma comunicação de alguém que adicionou um produto ao carrinho.
Quanto maior a intenção demonstrada, mais específica pode ser a comunicação.
E quanto mais personalizado é o anúncio, melhor. Usar informações do catálogo como qual produto a pessoa visitou e há quanto tempo é essencial para gerar uma boa taxa de conversão nessas campanhas.
13. Remarketing não significa perseguir o usuário
Se alguém abandonou um carrinho há duas horas, talvez faça sentido mostrar o produto novamente. Mas se a pessoa comprou o produto ontem, continuar exibindo exatamente aquele produto como se ela ainda estivesse considerando a compra representa desperdício de verba e uma experiência ruim.
Por isso, exclusões são tão importantes quanto inclusões.
Um bom setup de remarketing deve considerar:
- Janela de tempo;
- Evento realizado;
- Produto;
- Categoria;
- Frequência;
- Compra realizada;
- Valor do pedido;
- Possibilidade de recompra.
Também é importante considerar que uma frequência muito alta em campanhas de remarketing pode irritar o usuário. Cuidar para que a média de uma campanha não seja de 20-30-40 de frequência em um curto período de tempo é essencial para que o usuário não vire um detrator posteriormente.
14. Tiktok Ads: o novo player do mercado
Na verdade, faz um tempo que o Tiktok já é um player muito importante no mercado de mídia. Porém, ele ainda é subaproveitado.
Tendo essencialmente as mesmas funcionalidades da Meta, o Tiktok costuma possuir uma taxa de conversão mais baixa, mas um CPC também muito mais baixo. Isso faz com que esse canal seja essencialmente uma excelente fonte de usuários para meio de funil.
Nós recomendamos que quando ativada uma nova campanha, seja feita a negativação do inventário de Pangle no Tiktok sempre. Ele é uma rede de display da ByteDance e pode gerar um fluxo muito alto de usuários com comportamento muito parecido com bots.

15. A importância da mensuração no e-commerce
Não existe mídia paga profissional sem mensuração. O mínimo necessário é conseguir entender a jornada:
Sessão/Usuário → Visualização de produto → Add to Cart → Checkout → Compra
Esse funil permite identificar onde estão os principais gargalos.
Por exemplo:
100.000 sessões
↓
20.000 visualizações de produto
↓
4.000 adições ao carrinho
↓
2.000 checkouts
↓
1.000 compras
Podemos calcular as taxas entre cada etapa.
Isso permite descobrir se o problema está:
- Na aquisição;
- Na página do produto;
- Na oferta;
- No carrinho;
- No checkout;
- No pagamento.
Sem esse nível de mensuração, o seu analista ou especialista pode tentar resolver um problema no lugar errado.
16. Google Analytics, Tag Manager e eventos
Uma estrutura profissional de mensuração normalmente envolve ferramentas como Google Tag Manager e Google Analytics, além dos pixels e APIs das plataformas de mídia.
No e-commerce, alguns dos eventos mais importantes são:
view_item;view_item_list;select_item;add_to_cart;remove_from_cart;view_cart;begin_checkout;add_payment_info;purchase.
Além do evento, informações relevantes podem ser enviadas, como:
- ID do produto;
- Nome;
- Categoria;
- Quantidade;
- Valor;
- Moeda;
- Cupom;
- Receita da transação.
Isso é fundamental porque a plataforma não precisa saber apenas que houve uma compra.
Ela precisa entender o que foi comprado e quanto aquela compra vale.
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17. ROAS: a métrica mais conhecida da mídia paga
ROAS significa Return on Ad Spend.
A fórmula é:
ROAS = Receita atribuída à mídia / Investimento em mídia
Se uma empresa investiu R$ 10.000 e gerou R$ 50.000 em receita atribuída às campanhas:
ROAS = 5
Ou seja, cada R$ 1 investido em mídia gerou R$ 5 em receita atribuída.
Mas existe uma ressalva extremamente importante:
ROAS não é lucro.
A empresa ainda precisa pagar:
- Custo do produto;
- Impostos;
- Frete;
- Plataforma;
- Gateway;
- Comissão;
- Embalagem;
- Atendimento;
- Devoluções;
- Mídia;
- Outros custos operacionais.
Por isso, a pergunta correta não é:
“Qual ROAS você consegue?”
A pergunta correta é:
“Qual ROAS faz sentido para a margem da minha operação?”
18. Como calcular o ROAS de equilíbrio
Vamos imaginar um produto vendido por R$ 200.
Depois de todos os custos variáveis diretamente relacionados à venda, sobram R$ 80 para pagar marketing e custos fixos. Isso quer dizer, em média o que eu pago em agência, em anúncios, em ferramentas, dá R$80/compra.
Nesse cenário, investir R$ 80 para gerar uma venda de R$ 200 significa que o ROAS seria:
200 / 80 = 2,5
Portanto, aproximadamente 2,5 seria o ponto de equilíbrio considerando apenas essa contribuição disponível para mídia.
Se a operação precisa ainda contribuir para outros custos fixos, o ROAS mínimo pode ser maior. Esse cálculo é muito mais útil do que simplesmente utilizar um benchmark de mercado.
19. CAC e ROAS precisam ser analisados juntos
O CAC, Custo de Aquisição de Cliente, mede quanto a empresa precisa investir para conquistar um cliente.
No e-commerce, entretanto, existe uma particularidade importante:
um cliente pode comprar várias vezes.
Imagine:
Primeira compra: R$ 200
Segunda compra: R$ 250
Terceira compra: R$ 300
O cliente gerou R$ 750 em receita ao longo do relacionamento.
Se a empresa avaliar somente a primeira compra, pode considerar aquele cliente pouco rentável.
É por isso que operações maduras começam a incorporar conceitos como LTV — Lifetime Value.
20. Como escalar campanhas de e-commerce
Depois que você já fez os primeiros testes, identificou o ROI/ROAS meta da operação, conseguiu estabilizar todas as campanhas: agora chegou a hora de escalar.
É importante entender que nesse estágio, além da mídia paga, outros canais precisam estar trazendo receita também, como o CRM, o orgânico e o social. Dessa forma você pode gastar mais, mas manter o marketing como um todo em equilíbrio.
Outro ponto a se ressaltar é que investir o dobro não vai gerar o dobro de vendas. E aí temos as formas de escalar a operação:
Escala vertical
Aumentar gradualmente o orçamento das campanhas que já apresentam eficiência.
Escala horizontal
Expandir:
- Produtos;
- Categorias;
- Públicos;
- Criativos;
- Regiões;
- Termos;
- Canais;
- Campanhas.
Escala por oferta
Criar novas ofertas para o mesmo público.
Escala por produto
Encontrar produtos com maior potencial de aquisição.
A melhor escala é aquela em que o negócio consegue aumentar a receita sem destruir a margem.
21. Quando você precisa de apoio para passar a outro nível
Geralmente é no momento da escala que os negócios começam a apresentar seus maiores problemas. Para chegar a outro nível, um artigo como este não vai te dar bagagem ou conhecimento suficiente. E é aí que entram times como o da Graecus.
Nós temos anos de experiência com e-commerce em operações consolidadas que chegaram a outro nível, como a Arezzo, a Bagaggio, a Democrata.
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Checklist de uma operação madura de mídia paga para e-commerce
Antes de aumentar o orçamento, verifique:
- Google Merchant Center configurado;
- Feed de produtos atualizado;
- Catálogo do Meta configurado;
- Pixel instalado;
- Conversion API implementada quando aplicável;
- Google Analytics configurado;
- Google Tag Manager estruturado;
- Eventos de e-commerce funcionando;
- Evento de compra enviando valor correto;
- Produtos enviando IDs corretamente;
- Checkout mensurado;
- Campanhas de Shopping/PMax estruturadas;
- Campanhas de Search estruturadas;
- Campanhas de Meta Ads estruturadas;
- Remarketing configurado;
- Compradores excluídos das campanhas adequadas;
- Criativos em produção contínua;
- Produtos classificados por margem;
- CAC máximo definido;
- ROAS de equilíbrio calculado;
- LTV acompanhado;
- Receita real conciliada com as plataformas.
Perguntas frequentes sobre mídia paga para e-commerce
O que é mídia paga para e-commerce?
É o conjunto de estratégias de publicidade digital utilizadas para atrair usuários e gerar vendas para uma loja virtual. Entre os principais canais estão Google Ads, Meta Ads, TikTok Ads, Display, YouTube e Retail Media.
Qual é o melhor canal de mídia paga para e-commerce?
Não existe um canal universalmente melhor. Google costuma ser muito eficiente na captura de demanda existente, enquanto Meta é especialmente forte em descoberta, geração de demanda, criativos e remarketing. A melhor combinação depende da categoria, produto, margem, ticket e maturidade da marca.
Quanto investir em tráfego pago?
O investimento deve ser definido a partir da capacidade de aquisição da empresa, margem, CAC máximo e potencial de mercado. Não existe um percentual universal de faturamento que funcione para todos os e-commerces.
Qual ROAS é considerado bom?
Depende da margem e dos custos da operação. Um ROAS 3 pode ser excelente para um negócio e insuficiente para outro. O ideal é calcular primeiro o ROAS de equilíbrio e depois definir a meta de rentabilidade.
Google Ads ou Meta Ads?
Na maioria das operações, não é necessário escolher apenas um. Google e Meta possuem funções diferentes e podem trabalhar de maneira complementar ao longo do funil.
Quando contratar uma agência?
A contratação de uma agência pode fazer sentido quando a complexidade da operação começa a superar a capacidade do time interno.
Isso pode acontecer quando existem:
- Muitos produtos;
- Diversos canais;
- Alto investimento;
- Necessidade de tracking avançado;
- Problemas de atribuição;
- Necessidade de CRO;
- CRM integrado;
- Grandes volumes de dados;
- Necessidade de testes constantes.
Uma agência especializada não deveria ser apenas responsável por “subir campanhas”. O papel estratégico é entender como a mídia impacta toda a operação.
O que é remarketing?
É a estratégia de impactar novamente usuários que já tiveram algum contato com a marca, como pessoas que visitaram o site, visualizaram produtos ou adicionaram itens ao carrinho.
Por que o ROAS caiu?
A queda pode estar relacionada a aumento de CPM, redução do CTR, fadiga criativa, aumento do CPC, queda na taxa de conversão, alteração de preços, estoque, concorrência, tracking ou mudança no mix de produtos.
Preciso de Google Analytics para fazer mídia paga?
Uma operação pode anunciar sem uma estrutura analítica robusta, mas quanto maior o investimento, maior a importância de possuir mensuração confiável. Analytics, Tag Manager e ferramentas de mídia ajudam a compreender a jornada completa do usuário e identificar gargalos.
Qual é a diferença entre ROAS e CAC?
ROAS relaciona receita atribuída ao investimento em mídia. CAC relaciona o custo de aquisição ao número de novos clientes. Os dois indicadores respondem perguntas diferentes e devem ser analisados em conjunto.
Mídia paga é suficiente para fazer um e-commerce crescer?
Não. Mídia paga é um dos componentes do crescimento. Produto, preço, site, CRO, SEO, CRM, retenção, experiência do cliente e operação comercial também influenciam diretamente o resultado.
Quer transformar mídia paga em uma operação previsível de aquisição e crescimento?
Na Graecus, trabalhamos com mídia paga integrado a CRM, CRO, SEO, Data Analytics e Data Engineering para entender não apenas quanto uma campanha vende, mas como o investimento em marketing impacta a receita e a rentabilidade do negócio como um todo.
Conheça também o nosso guia completo de marketing digital para e-commerce para entender como mídia paga se conecta às demais estratégias de aquisição, conversão e retenção.
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